Presidente do Cofen | Gestão na saúde

Vazios assistenciais causam erosão na saúde do Brasil

Acesso à saúde não é direito relativo e disponibilidade de serviços se impõe como condição

O princípio da universalidade determina que todas as pessoas têm direito de acesso às ações e serviços de saúde. Também conhecido como princípio da generalidade, trata-se de um dos pilares fundantes do Sistema Único de Saúde (SUS), consoante aos princípios da equidade e integralidade. Não obstante a sua imprescindibilidade, o direito à saúde ainda é desigual no Brasil. Existem verdadeiros vazios assistenciais, caracterizados pela subsistência de espaços rurais e urbanos onde simplesmente não há disponibilidade de ações, serviços e políticas de saúde.

Estamos falando de grandes periferias urbanas, zonas rurais remotas, comunidades indígenas, quilombos e beiradões onde não se verifica sequer a oferta de serviços de Atenção Primária à Saúde (APS). Prontamente, é nesses espaços onde se verifica os maiores índices de adoecimento e morte por causas evitáveis.

Nesses lugares, a população vive literalmente sem acesso à saúde. Se precisar tratar uma gripe, aplicar vacina, fazer um tratamento, realizar um parto, corrigir uma fratura, entre outros procedimentos de rotina, o paciente precisa se deslocar por grandes distâncias em sofrimento até receber assistência, quando não morre.

Evidentemente é necessário reconhecer os significativos avanços que obtivemos em 34 anos de SUS. O nosso sistema de saúde é o maior do mundo e aumenta a sua capilaridade constantemente. Portanto, o que se pretende fazer é uma crítica construtiva, que nos permita direcionar esforços para erradicar os vazios assistenciais que ainda persistem.

A Enfermagem pode ajudar nesse sentido. Como maior categoria profissional da saúde, a profissão é a chave para resolver o problema de acesso à saúde em todo o país. Com independência, autonomia e estrutura adequada, profissionais da categoria podem realizar consultas, prescrever medicações e conduzir tratamentos resolutivos, de modo a atender as necessidades elementares da população e resolver gargalos que impedem a edificação do SUS.

Para além de oferecer atendimento elementar às pessoas, a Enfermagem pode prevenir, identificar e encaminhar a resolução de problemas graves de saúde, antes que seja tarde demais para uma solução adequada.

Com isso, é perfeitamente possível diminuir o grau de sofrimento das populações ainda desassistidas e assim concretizar um sistema de saúde focado em soluções, e não em problemas; focado primordialmente no ser humano, e não em doenças e medidas paliativas.

Principalmente onde a população mais precisa, o sistema privado não tem interesse de atuar, pois não circula grandes quantidades de dinheiro. Nesse sentido, precisamos ocupar esse vácuo e resgatar o foco da saúde no ser humano, com espírito público e políticas de Estado.

O direito fundamental à saúde se impõe como universal, integral e igualitário. Não se trata de direito relativo, é um imperativo absoluto imprescindível à vida digna expresso na Constituição Federal de 1988.

Fonte: Presidência do Cofen

Fonte: Cofen

Posts Similares

  • Hospital Edmundo Vasconcelos alcança a marca de 100 cirurgias robóticas

    O Hospital está entre os 40 do Brasil com a mais moderna estrutura para cirurgias robóticas O Hospital Edmundo Vasconcelos alcançou em abril a marca de 100 cirurgias robóticas realizadas em menos de 9 meses com a plataforma ativa, representando um marco importante de posicionamento de mercado e inovação. O Hospital passou a realizar as…

  • Hetrin e HCN integram lista dos melhores hospitais públicos do país

    Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde aponta que Goiás tem 10 dos 100 melhores hospitais públicos do país Um levantamento nacional inédito realizado recentemente apontou Goiás como segundo colocado dos estados brasileiros com maior número de hospitais exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) no ranking dos 100 melhores do Brasil, consolidando-se como referência…

  • Aumento do alcoolismo feminino vai igualar-se entre os sexos até 2030

    No Mês da Mulher, Paulo Leme Filho aborda um tema polêmico para alertar sobre os riscos sociais e de saúde pública do consumo de bebidas A informação de que o alcoolismo feminino vem crescendo no Brasil acontece desde antes da pandemia. E, segundo o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), até 2030 o número…

  • Inteligência Artificial na saúde: uma combinação que pode salvar vidas

    Estudos indicam um impacto crescente da IA Generativa no setor de biotecnologia e a importância da automação para acelerar o desenvolvimento de soluções. A UiPath lista pelo menos cinco maneiras pelas quais a IA combinada com automação pode contribuir para otimizar o fornecimento de ensaios clínicos. A integração da ciência, tecnologia e saúde é antiga…

  • Pré-natal na rede pública: gestantes são mais propensas à depressão pós-parto

    Estudo do CEUB: mães atendidas pelo SUS apresentam 40% a mais de chances de desenvolver a condição, se comparadas ao grupo atendido na rede privada O puerpério vai muito além das mudanças físicas e hormonais enfrentadas pelas mulheres. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 25% das mães no Brasil enfrentam a depressão no…

  • Projetos direcionados para UTI reafirmam compromisso do HEF com cuidado humanizado

    Com acolhimento e empatia, a unidade do Governo de Goiás investe em iniciativas de humanização buscando impactar positivamente a jornada do paciente O Hospital Estadual de Formosa (HEF), unidade do governo de Goiás, administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento – IMED, busca constantemente inovar no cuidado humanizado. Pensando na jornada do paciente, a…