Maternidade

Maternidade tardia: cuidados para a saúde da mãe e do bebê

Médica destaca que, com acompanhamento adequado, é possível viver a maternidade de forma saudável e segura em diferentes fases da vida

Ter filhos depois dos 35, 40 ou até 45 anos tem se tornado uma escolha cada vez mais comum entre as mulheres. Seja pela busca por estabilidade financeira, crescimento profissional, realização pessoal ou simplesmente por encontrar o melhor momento, a maternidade tardia reflete mudanças importantes na forma como a sociedade enxerga a construção da família.

Embora essa decisão traga desafios e cuidados específicos, especialistas destacam que, com acompanhamento adequado, é possível viver a gestação e a maternidade de forma saudável e segura em diferentes fases da vida.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados em 2024 mostram que o número de mulheres que optaram por ter filhos após os 40 anos aumentou 65,7% em 12 anos. Segundo dados do SisEmbrio, sistema da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) que monitora a produção de embriões no país, entre 2020 e 2024, mais de 500 mil embriões foram congelados no Brasil, o que representa um aumento de 47,6% no período.

“Estamos falando de um movimento que reflete mudanças no comportamento social, no mercado de trabalho e nas formas de planejar a vida. Não só no Brasil, como no mundo todo, a maternidade tardia tem se tornado uma tendência crescente. O avanço da medicina reprodutiva e o acesso a métodos contraceptivos mais eficazes também ampliaram esse horizonte de decisão, permitindo maior controle sobre o momento de engravidar”, explica a médica ginecologista e professora do curso de Medicina da Unic Beira Rio, Dra. Leticia Wisnieski Bett.

No entanto, a maternidade tardia também envolve desafios. Especialistas alertam para o aumento de riscos gestacionais a partir dos 35 anos, como maior probabilidade de hipertensão, diabetes gestacional e complicações obstétricas.

De acordo com a Dra. Leticia, o mais importante é o planejamento consciente. “A mulher precisa ter acesso à informação de qualidade para entender os benefícios e os riscos da maternidade tardia. Com acompanhamento adequado, é possível viver essa experiência de forma saudável e segura, respeitando o tempo de cada uma”, afirma.

A seguir, a médica destaca pontos importantes a serem considerados por quem pensa em engravidar depois dos 40:

Planejamento reprodutivo

Antes mesmo de tentar engravidar, é importante realizar uma avaliação completa da saúde, incluindo exames hormonais, ginecológicos e laboratoriais, além da investigação de possíveis doenças que possam impactar a fertilidade ou a gestação. O acompanhamento permite identificar fatores de risco precocemente e orientar estratégias individualizadas. Em alguns casos, especialmente quando a mulher pretende postergar a gravidez por vários anos, o especialista pode recomendar a preservação da fertilidade por meio do congelamento de óvulos, uma técnica que tem ampliado as possibilidades reprodutivas femininas e oferecido mais autonomia sobre o planejamento familiar.

Pré-natal rigoroso

A gravidez em idade mais avançada não significa necessariamente uma gestação de risco, mas exige atenção redobrada. O pré-natal desempenha papel fundamental para monitorar a saúde da mãe e do bebê, permitindo o diagnóstico precoce de condições como hipertensão gestacional, diabetes gestacional, alterações placentárias e parto prematuro. Além das consultas regulares, exames laboratoriais, ultrassonografias e avaliações específicas ajudam a acompanhar o desenvolvimento fetal e a evolução da gravidez.

Estilo de vida saudável

Os hábitos adotados antes e durante a gestação têm impacto direto na saúde materna e fetal. A prática regular de atividade física, respeitando as orientações médicas, auxilia no controle do peso, melhora a circulação, reduz desconfortos típicos da gravidez e favorece o bem-estar emocional. Além disso, o gerenciamento do estresse merece atenção especial. Altos níveis de ansiedade podem afetar a qualidade do sono, a saúde cardiovascular e o equilíbrio hormonal, tornando importante a adoção de estratégias que promovam relaxamento e qualidade de vida.

Apoio emocional e rede de suporte

A maternidade envolve transformações físicas, emocionais e sociais, independentemente da idade. No entanto, mulheres que engravidam mais tarde podem enfrentar preocupações específicas relacionadas à saúde, carreira profissional ou expectativas familiares. Nesse contexto, contar com uma rede de apoio composta por parceiro, familiares, amigos e profissionais de saúde pode fazer toda a diferença. Quando necessário, o acompanhamento psicológico também pode ser uma ferramenta importante para auxiliar na preparação para essa nova fase.

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