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Gravidez aumenta risco de quedas e lesões, diz estudo

Alteração biomecânica durante a gestação pode exigir atendimento integrado entre obstetra e ortopedista.

Mudanças naturais no tamanho e no centro de massa do corpo durante a gravidez podem aumentar o risco de quedas e lesões musculoesqueléticas, como alerta o relatório divulgado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Por isso, esforços físicos repetitivos, sobretudo em ambientes de trabalho, exigem atenção redobrada. 

O CDC explica que, à medida que o feto cresce e o peso corporal aumenta, o organismo da gestante sofre alterações físicas e hormonais, uma adaptação natural para gerar e nutrir outra vida. Dessa forma, o ponto em que o peso do corpo se concentra é deslocado à proporção que as dimensões corporais mudam.

Ao mesmo tempo, alterações hormonais podem afetar o sistema musculoesquelético, descreve o Guia da Gestante, do Ministério da Saúde. A relaxina diminui a rigidez de articulações, tendões e cartilagem e cria certo afrouxamento no tecido conjuntivo. 

O CDC explica que essas alterações permitem o crescimento do feto no útero e o aumento da flexibilidade na pelve para facilitar o parto. Paralelamente, os riscos de lesões musculoesqueléticas, perda de equilíbrio e episódios de queda tendem a aumentar com a combinação entre mudança no centro de massa corporal, ganho de peso e laxidão articular. 

Esse conjunto de alterações na estrutura do corpo das pacientes é o que faz um obstetra recomendar o atendimento integrado com o profissional ortopedista.

Adaptações biomecânicas à gravidez 

Por outro lado, o corpo humano realiza adaptações biomecânicas para evitar problemas físicos e hormonais às mulheres. O National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) explica que a coluna vertebral, o joelho e o pé sofrem modificações durante a gestação, o que faz a postura e a caminhada das pacientes mudarem ao longo dos meses.

O estudo “Pregnancy-Related Spinal Biomechanics: A Review of Low Back Pain and Degenerative Spine Disease” revela que a lordose lombar das gestantes tende a aumentar para compensar a mudança do centro de massa corporal. A alteração ajuda a manter o tronco da mulher posicionado sobre a pelve.

A adaptação da coluna busca evitar que a paciente sofra uma descompensação postural, explica o estudo. O ajuste tem o propósito de manter a postura ereta e evitar a sobrecarga mecânica excessiva. Queixas como dor lombar e fadiga dos músculos do tronco sugerem que a gestante encontre um ortopedista para o acompanhamento adequado.

Já o estudo “Changes in Foot Biomechanics during Pregnancy and Postpartum: Scoping Review” sinaliza que as pacientes podem sofrer alterações no tamanho e no formato dos pés. As mudanças podem ocorrer em razão da retenção de líquido e da ação de hormônios que deixam os ligamentos mais flexíveis. 

O avanço da gravidez desloca ainda mais força sobre toda a estrutura do pé. O estudo descreve que algumas alterações parecem continuar no período pós-parto, o que pode estar relacionado à permanência de mudanças ligamentares e musculares. Em casos como esse, a procura por um ortopedista também é indicada.

O Guia da Gestante, do Ministério da Saúde, recomenda que as gestantes utilizem calçados confortáveis para evitar sobrecarga postural e inchaço nos pés. Descansos intercalados ao longo do dia também são recomendados.

Gestantes costumam apresentar o padrão de caminhada chamado “marcha oscilante”, de acordo com o estudo “The role of waddling gait in balance control during pregnancy”. Os passos se alteram em razão das adaptações fisiológicas da gravidez, ficando mais lentos em comparação ao período pré-gestacional e pós-parto.

Atividades físicas durante a gravidez

A American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda a prática moderada e supervisionada de atividade física durante a gravidez. “A escolha correta e estratégica de exercícios pode trazer benefícios à postura das pacientes,  manutenção da força muscular e diminuição de dores lombares relacionadas às alterações biomecânicas da gestação”, afirma.

A entidade aponta que até mesmo atividades suaves, como caminhada e alongamentos, ajudam a modular a resposta do corpo ao aumento do peso e aos episódios de desequilíbrio ao longo da gravidez. 

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a prática supervisionada de exercícios pode melhorar o humor das pacientes e prevenir diferentes tipos de lesões, como na coluna e nos tornozelos.

Maternidade / Portal Gestão e Saúde

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