Tecnologia: sistemas inteligentes transformam a gestão hospitalar
Ainda em desenvolvimento, as inteligências artificiais prometem ampliar o apoio às decisões clínicas, otimizar o atendimento aos pacientes e à gestão hospitalar
O uso da inteligência artificial (IA) já é uma realidade em diferentes áreas da sociedade, inclusive na saúde. De acordo com a pesquisa TIC Saúde 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), as ferramentas de IA já são utilizadas em 18% dos estabelecimentos de gestão de saúde no Brasil.
Segundo Alexandre Chiavegatto, professor do departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, a inteligência artificial já contribui para tornar a gestão dos serviços de saúde mais eficiente. Entre as aplicações estão a organização das filas de atendimento com base no histórico dos pacientes, a previsão do tempo necessário para cada consulta, a identificação de pessoas com maior probabilidade de faltar às consultas e o envio de lembretes para reduzir o absenteísmo.
O pesquisador destaca ainda que muitos médicos já utilizam sistemas de IA para auxiliar na documentação clínica. Os algoritmos transcrevem automaticamente a conversa entre médico e paciente, permitindo que o profissional mantenha o foco no atendimento, sem a necessidade de preencher formulários durante a consulta.
Rede nacional de hospitais inteligentes
No Brasil, o Governo Federal anunciou um projeto para criar uma rede nacional de hospitais e serviços inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS), integrando inteligência artificial, telemedicina e conectividade 5G para oferecer atendimento de alta precisão.
O professor Chiavegatto explica que essa coleta e unificação de dados são fundamentais em um país tão diverso como o Brasil. Segundo ele, “nenhum país do mundo tem pacientes tão diferentes quanto o Brasil, com níveis socioeconômicos muito desiguais, fatores de risco muito distintos, hábitos alimentares muito variados e origens genéticas muito diversas”.
Regulamentação do uso da IA na medicina
No Brasil, o uso da tecnologia na gestão médica é regulamentado principalmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). As normas estabelecem que ferramentas como inteligência artificial e telemedicina devem atuar como apoio ao profissional, enquanto a decisão final e a responsabilidade pelo diagnóstico e pelo tratamento permanecem sob responsabilidade do médico.
Segundo Alexandre Chiavegatto, a inteligência artificial ainda se encontra em estágio inicial de desenvolvimento, mas tem potencial para transformar a assistência à saúde, especialmente no apoio ao diagnóstico e ao prognóstico dos pacientes. Para que esse potencial se concretize de forma segura e eficaz, será necessário aperfeiçoar os algoritmos, ampliar a coleta de dados representativos da população brasileira e fortalecer a adoção dessas ferramentas pelos profissionais de saúde. A expectativa é que, nos próximos anos, a IA esteja cada vez mais presente na rotina dos serviços de saúde e na prática médica.
Por Jornal da USP